Os formidáveis vinhos brancos dos Açores

É em face destes números que o projecto de António Maçanita (enólogo em várias regiões do país), Paulo Machado (presidente da Comissão Vitivinícola dos Açores e proprietário dos Vinhos Ínsula) e Filipe Rocha (director da Escola de Hotelaria de São Miguel) ganha relevância. Depois de umas pequenas experiências, os três decidiram criar uma empresa para a produção de vinhos na ilha do Pico. Entre vinhas alugadas e terrenos comprados, conseguiram reunir cerca de 40 hectares. Uma parte já começou a ser reestruturada com enxertos-prontos de Terrantez do Pico, Arinto dos Açores, Verdelho, um pouco de Saborinho (variedade tinta correspondente à Tinta Negra Mole da Madeira e à Molar de Colares) e também com bacelos para replicar estas e outras castas que têm vindo a ser recuperadas.

Algumas delas, como o Terrantez do Pico (casta que não tem qualquer relação genética com o Terrantez da Madeira, que é o Folgazão do Douro), estavam quase extintas. Há meia-dúzia de anos, os Serviços de Desenvolvimento Agrário de São Miguel correram toda a ilha e só descobriram 89 plantas daquela variedade. Face ao risco de desaparecimento do Terrantez, decidiram então lançar um plano de recuperação das castas mais problemáticas através da criação de três campos experimentais: um em São Miguel para o Terrantez do Pico, outro no Pico para o Arinto dos Açores (também sem qualquer ligação genética ao Arinto do continente) e outro na Graciosa para o Verdelho (uma variedade que está ligada geneticamente à francesa Chenin Blanc, oriunda do vale do Loire).